Nunca fiz seus olhos brilharem, essa é a verdade. A gente ria junto, gostava da companhia, mas nunca fomos uma paixão. Havia tesão, havia vontade, felicidade até. Só que não houve espaço nem terreno para que aquele algo a mais florescesse. A gente levou, mas eu sentia que os dias dela eram cinzas, sem vida, sem graça. Eu tentava fazê-lo rir, mas qualquer tentativa era em vão. Até os beijos já não tinham seu lugar. Eram escassos. Podia sentir que começava a virar obrigação. Tudo. Desde me ver até a ligação automática de boa noite. Lembra o que eu contei? Eu nunca fiz os olhos dele brilharem. Ele nunca me tomou em seus braços como se não pudesse ou quisesse mais largar. Nunca teve momentos de rir até doer a barriga e contar para os amigos depois. Nada. Temi ser um pedaço turvo da sua história. Preferia não ser nada a ser algo para apagar. Eu nunca consegui ser metade do que ela merecia, mesmo que eu tentasse. Quem nasce para sapo não vira príncipe da noite pro dia.

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